quarta-feira, 14 de abril de 2010

De mundança

Saudações,
Justamente quando eu estou começando a gostar disto aqui, eu não tenho mais tanto tempo ocioso para tal fim. Resolvi fazer umas mudanças (dar uma repaginada) no layout, nas cores e nos nomes. Espaço silente era tão 2006, tão herman hessiana, mas passou; é preciso acostumar-se com a efémeride das coisas e isto, obviamente, inclui blogs também. O título, como vemos, continua de uma breguice característica, mas talvez, tenha qualquer coisa de contemporâneo, ao menos para mim. Em suma, era só isso. Descobri que escrever minhas bobagens neste espaço é bem gratificante. A próposito, quero agradecer aos comentários(ametistas verdes) dos meus 4 ou 5 leitores que costumavam passar os olhos de vez em quando, mas infelizmente os comentários foram apagados por obra desta coisa que eu não sei mexer direito. No mais, espero voltar a escrever com minha assiduidade de outros tempos: leia-se 2 posts por mês. Um abraço apertado pros zumbizinhos que vez por outra aparecem por estas bandas do espaço internético.


quarta-feira, 17 de março de 2010

enchantagem

de tanto não fazer nada
acabo de ser culpado de tudo


esperanças, cheguei
tarde demais como uma lágrima


de tanto fazer tudo
parecer perfeito
você pode ficar louco
ou para todos os efeitos
suspeito
de ser verbo sem sujeito




pense um pouco
beba bastante
depois me conte direito


que aconteça o contrário
custe o que custar
deseja
quem quer que seja
tem calendário de tristezas
celebrar


tanto evitar o inevitável
in vino veritas
me parece
verdade


o pau na vida
o vinagre
vinho suave


pense e te pareça
senão eu te invento por toda a eternidade


-Paulo Leminski-


quarta-feira, 3 de março de 2010

Prelúdio


Satisfeita, enfim. De certa forma, ajustada a alguns critérios da sociedade meritocrática em que subsisto. Ainda estou sorvendo doses homeopáticas da efeméride do contentamento. Cercada dos mais estranhos sortilégios e um tanto certa de é que só mais um caminho, só mais uma escolha; queira Deus a melhor delas. Se bem que ela, a escolha, tem não sei o quê que a torna faca de dois gumes: é, para mim, concomitantemente, poder de decisão e renúncia.

Resta-me, somente, contemplar o modesto e já tão gasto emaranhado em que me encontro.
Logo eu que tanto ponderei e considerei até me cansar, eis me aqui retornando, tacitamente, ao princípio.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Sem fantasia

Vem, meu menino vadio
Vem, sem mentir pra você
Vem, mas vem sem fantasia
Que da noite pro dia
Você não vai crescer
Vem, por favor não evites
Meu amor, meus convites
Minha dor, meus apelos
Vou te envolver nos cabelos
Vem perder-te em meus braços
Pelo amor de Deus
Vem que eu te quero fraco
Vem que eu te quero tolo
Vem que eu te quero todo meu

Ah, eu quero te dizer
Que o instante de te ver
Custou tanto penar
Não vou me arrepender
Só vim te convencer
Que eu vim pra não morrer
De tanto te esperar
Eu quero te contar
Das chuvas que apanhei
Das noites que varei
No escuro a te buscar
Eu quero te mostrar
As marcas que ganhei
Nas lutas contra o rei
Nas discussões com Deus
E agora que cheguei
Eu quero a recompensa
Eu quero a prenda imensa
Dos carinhos teus


[Chico Buarque]


segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Bilhete





Dona Timmi, dez vezes hoje,
desejei mandá-la às favas.


Atenciosamente,

Sua cria.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Seguindo o coelho branco

No fundo, eu já sabia. Na superfície também, o que pode parecer evidente. No entanto, eu ainda pensava que já não tinha mais para onde crescer. Já sinto a fadiga, o cansaço e a dor que acompanham esses tempos. Então, é isto: crescimento. Se eu pudesse optar, escolheria o pacote indolor.

Pois é, caríssimos, dói demasiadamente esta pseudobtenção de consciência que acompanha os adolescentes quase adultos imersos nesta realidade cheia de eventos bruscos, com o fim maior de ultrapassar certos entraves que ofuscam a maturidade, esta que a nós, por vezes, parece-nos tão acessível. E eu quero acesso de fato. Quero calmaria também se assim for possível.

Uma pitada de desafio aqui, um punhado de contradições acolá. As noites de sono perdidas e mal-dormidas, aos poucos, fizeram acordo comigo, os fantasmas que habitavam meu lugar estão de mudança, certamente hão de errar por obscuras paragens distantes daqui.

[Stop.]

Hoje o céu tem nuvens róseas que desbotam na imensidão negra. Vejo tudo com mais nitidez. Estes óculos vieram bem a calhar. Concentro-me e posso enxergar dentro de mim. Também posso ver você agora. Imagem translúcida, ou seria trans e lúcida. Vai saber...

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Aos zumbis que ,vez por outra, passam por aqui


Idéias desconexas.

Palavras sem sentido se desencontram num emaranhado de vernáculos surreais.

Achados que povoam minha mente me fazem crer que os meus pensamentos só fluem naturalmente nos segundos que antecedem meus instantes antes do descanso quimérico.

Precisa-se, definitivamente, de uma receita batuta para afastar essa insônia que teima em se fazer presente.


Boa noite.